sexta-feira, 3 de abril de 2015

Adaptação: mês 1

Hey pessoas!
A pouco mais de um mês, vocês bem sabem, minha vida virou de cabeça pra baixo.
Deu uma sacudida.
E agora, as coisas começaram a assentar. 

O que mudou?

Ora, mas que resposta óbvia, absolutamente tudo mudou!
Deixa eu contar pra vocês algumas primeiras constatações e fatos desse primeiro mês, no qual Porto Alegre me engoliu.

Fui amorosamente acolhida para morar na casa da "vó". Aspas, porque minhas avós de sangue já se foram a algum tempo, mas eu tenho uma vó postiça que está fazendo um ótimo papel de vó, me acolhendo no seu ap e tudo mais.

O ap da vó é pequenino, mas aconchegante. Tem só um quarto, que é o quarto da vó, o que faz com que meu quarto seja a sala de estar. E minha cama seja uma poltrona-cama. 
Mais ou menos assim:


O que pra mim está excelente, afinal, eu não estou nem pagando aluguel nem nada. Tenho cobertas quentinhas e um teto em cima da cabeça. Está tudo maravilhoso.
Vou ser hipócrita e dizer que não sinto falta da minha cama? Claro que não vou. Minha cama de casal, com meu colchão maravilhoso, vive no meu coração e me espera com todo seu conforto, na casa dos meus pais.

A vó, como a maioria das vós, nunca foi adepta de internet, logo, foi uma das primeiras coisas a se providenciar. Demorou um mês desde a data de contrato, até a data de instalação. Rendeu muitas, muitas, MUITAS ligações pro telemarketing da GVT, mas enfim tudo foi resolvido.

Aprendi o caminho de casa até a universidade, até 3 supermercados diferentes, até o banco. Tem absolutamente tudo perto de casa. Tem farmácia, tem bar, tem restaurante. Tem parque, tem açougue, tem lojas de roupa. Tem bazares, ópticas e relojoarias, e até funerária. O bairro tem tudo. Tudo. Tem ônibus praticamente na porta de casa. Aprendi a pegar ônibus. Me caguei pra me aventurar de ônibus sozinha da primeira vez que o fiz lá, mas já peguei tantos ônibus agora que está tudo bem. Fiz meu vale transporte estudantil pra pagar meia passagem.

Nas primeiras semanas, enquanto eu ainda não tinha o vale transporte, estava acordando um pouco mais cedo pra ir pra universidade a pé. Em um belo dia, começou a chover torrencialmente enquanto eu estava no meio do meu trajeto. O que alagou alguns trechos, e encheu outros de lama. Pra minha "sorte", eu estava usando um vestido, e calçando havaianas. Porque minhas pernas e pés ficaram cobertos de barro. Entrei na universidade, me dirigi até o banheiro, e lavei meus chinelos na pia. Com um bolo de papel molhado, dei um banho nas minhas pernas. Fiquei aparentemente limpa, e segui a vida, o resto do dia assim. Mas louca pra tomar um banho de verdade.

Ora Eka, mas se dá pra ir a pé pra universidade, porque tu não o faz sempre? Porque pega ônibus?

Dá pra ir a pé, mas não quer dizer que seja agradável. 

A caminhada de casa até a universidade dura cerca de meia hora. 
O trajeto é alvo de múltiplos assaltos, diariamente. A universidade fica em um "complexo estudantil", que abriga, além da UFCSPA, alguns prédios da UFRGS. Também abriga o hospital da Santa Casa. E é próximo ao parque da Redenção. A circulação de pessoas pela área é grande, assim como a circulação de assaltantes, prontos para ~atacar~. (Conheci várias pessoas que carregam consigo o "celular do ladrão". Se tu for assaltado, tem que ter contigo um celular "a mais", pra dar pro ladrão. Um celular extra, velho, sem chip, sem tuas informações pessoais, só pra satisfazer o ladrão, e não perder o seu celular "verdadeiro".) Só o que não há é circulação de viaturas para conter o grande numero de assaltos. Aliás, há um grande movimento estudantil que solicita maior policiamento na área. Temos um abaixo assinado, com o qual você, você mesmo, pode contribuir. Por favor, contribua. Não custa nada. Não quero ser assaltada. Obrigada.

Além de o trajeto ser perigoso, ele também fede. Sim, Porto Alegre fede. Há uma enorme quantidade de moradores de rua, dormindo em todas as calçadas ao longo do caminho. De manhã cedinho, quando saio de casa, eles ainda não acordaram. Mas a rua tem cheiro de xixi. E já me deparei com vários... vômitos, na calçada. Também tem muito lixo espalhado, e restos de comida pelo chão. Então, a caminhada não é nem segura, nem agradável. Acho que a limpeza de Caxias me deixou mal acostumada, embora na minha visão o ideal é de que todos os lugares fossem... limpos, eu sei que na maioria esmagadora dos lugares, não é assim. Ao menos pude constatar isso pelas cidades do Brasil que já tive a oportunidade de conhecer. Nenhuma é tão limpa quanto Caxias. Porto Alegre, definitivamente, não é.

Acho que Caxias me mal acostumou também com a "fartura italiana". Interior do Rio Grande do Sul tem muita agricultura. É possível comprar verduras e legumes em abundância, com uma qualidade excelente a um preço baixo, diretamente com o produtor, nas feiras do agricultor. Come-se MUITO bem na serra, meus quilinhos a mais não me deixam negar. Em Porto Alegre, é difícil encontrar bons itens de hortifruti. Os "exemplares" são definitivamente pequenos, e caros. Muitas vezes, não se encontra certas coisas, ou o estado de conservação dos vegetais é tão deplorável, a um preço tão absurdo, que simplesmente não dá pra comprar. O supermercado mais próximo passou mais de uma semana sem leite nas prateleiras. Nem sequer uma caixa. Nem ovos. As vezes também não tem pão. Talvez seja um problema de administração desse supermercado em específico... provavelmente seja. Mas a questão dos vegetais, é em todo lugar que fui.

Mas vamos falar de coisa boa. Vamos falar da universidade!!! A universidade é só amor!



As pessoas foram/são extremamente acolhedoras e simpáticas. O curso é integral, o que quer dizer que chego na universidade de manhã cedo, e saio no final da tarde. O que quer dizer que passo praticamente todos os meus dias inteiros com as mesmas pessoas, que vim a conhecer muito rápido, e que criamos um vínculo por isso. Todos nós estamos lá, "sofrendo" as mesmas coisas, submetidos à mesma carga IMENSA de conteúdo pra estudar, trabalhos pra fazer, e tudo mais. Isso, de certa forma, nos uni. Temos veteranos que, um ano atrás estavam vivenciando exatamente a mesma coisa que nós, e se disponibilizam a ajudar. e doar materiais, e orientar, e a serem as pessoas mais receptivas do lugar. 
Um ANO, sim, não semestre. A universidade tem matrículas anuais. Cada ano é uma "série", e cada série tem o seu grupamento de disciplinas correspondentes. A gente não escolhe em quais disciplinas quer se matricular. A gente é automaticamente matriculado na série correspondente. O que quer dizer que somos automaticamente matriculados em todas as disciplinas correspondentes àquela determinada série. O que quer dizer, nesse primeiro período, 12 disciplinas. Sim. DOZE DISCIPLINAS. Não temos escolha. São 12, ou nada.

Sabe quantas disciplinas eu cursava na FSG? Três. Quatro, quando o dinheiro dava. E eu trabalhava feito um cão pra dar conta de pagar por essas disciplinas, correspondentes a 3 manhãs de aula, que consumiam o meu salário. Vocês já estão cansados de saber.

Sabe quanto eu estou gastando agora, pra cursar 12 disciplinas, correspondentes a 5 dias de aula, período integral...? Absolutamente nada! :) 

Também não estou trabalhando mais. Ou não voltei a trabalhar ainda, como preferir. Porém, a universidade oferece assistência estudantil, uma ajuda de custo para estudantes que não tem renda pra se manter, não deixarem de estudar por isso. Ou seja, a gente além de não pagar pra estudar, recebe pra isso. A universidade também disponibiliza bolsas, diversas bolsas, também remuneradas, pra estudantes que quiserem fazer algum trabalho extra dentro de programas da própria instituição.

Quanto à estrutura física da universidade, não tenho do que me queixar. 
Aliás, tenho sim, nós não temos RU. A falta de um restaurante universitário pra alunos que, como eu, passam manhã e tarde na universidade e precisam almoçar em algum lugar por lá é uma questão a ser discutida à parte. Não temos RU, mas dizem que... a construção de um está nos planos da reitoria. Planos esses que não serão realizados tão em breve assim, porque houve um corte do governo na verba destinada à educação. Mas ok, a FSG também não tinha RU.
A alternativa que os estudantes encontraram pra isso, foi a aquisição de microondas para o espaço coletivo que temos junto ao DCE. Muita gente, eu inclusive, adquiriu bolsinhas térmicas para transportar seu próprio almoço, esquentar nos microondas, e almoçar por lá mesmo, no espaço coletivo. Espaço esse que aliás é bem acolhedor, temos sofás, 2 violões, 2 mesas de sinuca, e 2 mesas pra comer. O lugar pra sentar em uma das mesas e almoçar é concorrido, mas dá-se um jeito, ninguém deixa de almoçar por isso.
Quanto ao reeeeeesto da estrutura física, eu não tenho do que me queixar. 
Temos catracas com identificação biométrica para conseguir acessar os prédios, o que quer dizer que, apesar da zona ser perigosa, lá dentro é seguro. Temos elevadores que falam. Temos DOIS ar-condicionados na sala, que nem é tão grande assim. Não sei vocês, mas nenhuma das particulares em que estudei (ucs e fsg) tinham isso.
 Temos constantes reformas, banheiros novos estão sendo construídos. Temos laboratórios super bem equipados em cada uma das suas especificidades. Temos uma biblioteca voltada exclusivamente para cursos da área da saúde (obviamente, afinal esse é o foco da universidade). 
Temos professores excelentes. Temos um nível de cobrança fora do comum. Temos que atingir média 7, no mínimo, se quisermos ser aprovados. E não é fácil, cara. Não é fácil. Os professores querem que tu saiba o que tu tem que saber, e não estão nem aí se tiverem que te rodar pra isso. 
Aliás, a forma que eles querem que tu estude também é diferente da particular, na minha concepção. Na FSG, eu só estudava pras provas pelos slides dos professores, praticamente. As vezes o google dava uma ajuda. E ia super bem em tudo. Na UFCSPA, os professores querem te fazer pesquisar e engolir os livros da biblioteca. Vai estudar. Vai procurar a informação. Te vira. Cada um se entende melhor com a explicação de um autor, então tu tem que ler vários, procurar, se adaptar, construir o teu próprio conceito, em vez de pegar ele pronto no slide.

Os colegas também são diferentes, em termos de participação. Não sei porque motivo, não sei se é questão de cultura local, não sei explicar porque. Na federal, os alunos são mais participativos. Muitas vezes, na particular, o professor ficava num vácuo, num monólogo constante a aula inteira. Ninguém questionava. E quando o professor fazia uma pergunta qualquer, ninguém se manifestava. Em diversas situações, eu era a única que me manifestava, ou questionava algo. 
Os colegas da federal questionam. Debatem. Dão opinião, e se interessam pelas opiniões diversas. As pessoas por lá tem a cabeça mais aberta. Ninguém se importa se tu vai pra aula com qualquer roupa que estiver afim, de chinelo, ou bem arrumada. Ninguém se importa. Ninguém se importa se tu vai pra aula de ônibus, a pé, de carro, ou de bicicleta. As pessoas, aliás, usam muito a bicicleta como meio de transporte. Vá como quiser. Vá como preferir. Acho que isso é uma coisa da cidade em si. 

Em Porto Alegre tu encontra gente de todo tipo. Meninas "menininhas", meninas de cabeça raspada, meninas que não querem se depilar. Gente maquiada, gente de cara lavada. Caras com barba, sem barba, de cabelo curto, comprido, com dread. Tem gente com todos os tipos de roupas, das mais comuns e arrumadinhas, às mais hippongas. Ninguém se importa com isso, ninguém repara no seu jeito, no jeito que você se sente confortável sendo. Ninguém se importa se tu quer ficar com um cara, com uma guria, ou com os dois. Ninguém se importa se tu é gordo ou magro. Ninguém se importa. Seja você, seja como és, e seja feliz assim. O mundo está ok com isso. Todos estão ok com isso, e ninguém fica reparando em você, ou te olhando diferente por isso. A diversidade está aí pra ser vivida e amada.

Em Caxias todo mundo é igual, todo mundo "tem que" ser igual. As pessoas reparam na sua roupa, no seu cabelo, no seu estilo de vida. Em Caxias, se tu tem cabelo diferente, só pode ser lésbica. Se tu usa uma roupa diferente do que todo mundo usa, CREEEEDO! Em Caxias, DEUZOLIVRE tu ir pra universidade calçando havaianas. Em Caxias DEUZOLIVRE tu ir pra faculdade de bicicleta. Na terra da polenta, todos tem que usar sapatos bonitinhos, e ir pra aula de carro. No máximo pegar um ônibus. Caxias é uma cidade... quadrada. E se você não se encaixa no quadrado, ache um jeito de se disfarçar.

Enfim, pessoas. Já escrevi tantas coisas que nem sei mais. Meu período de adaptação tem sido ok. Estou definitivamente feliz com a mudança de vida, e com o crescimento pessoal que isso tem me proporcionado. Ainda tenho MUITO dessa cidade pra descobrir. A começar pelos nomes das ruas, as pessoas me contam onde moram AND I HAVE NO FUCKING CLUE WHERE THE HELL IT IS! (eu me expresso em inglês quando fico meio puta da cara... desconsidere). Também ainda tenho muito a aprender no quesito frugalidade. Preciso aprender a gastar dinheiro com o que é essencial. E fazer o dinheiro dar pra tudo. Não tem mais papai pra fazer as compras do supermercado pra mim. Não tem mais mamãe pra arrumar minha cama, mesmo eu falando que não precisa. Já tava na hora, né?

Vou ficando por aqui, mas indico outro texto que tem TUDOAVER, e que tive o prazer de ler por esses dias, e que... tem tudoaver. É pra clicar, tá? É preciso ir embora!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Absorvendo mudanças a doses homeopáticas

A vida. A vida tem dessas coisas mesmo. Um dia a gente reclama da rotina, reclama da falta de grana, reclama que ela não muda. Que ela parece que parou, sentou-se confortavelmente e lá permaneceu. Na zona de conforto. E se a zona de conforto não fosse de fato confortável, assim ela não se chamaria. A zona de conforto é o arroz branco, o pão com manteiga, é aquilo que não é a melhor opção do mundo, mas é gostoso, é ok, é uma escolha segura. Só que um dia você tem vontade de provar comidas que nunca comeu antes. E no caso de mudanças na vida, isso significa abandonar o pão com manteiga. E se o novo sabor não for tão "de casa" quanto? Mas ele parece tão atrativo... tão cheiroso...

Essa analogia com comida tá estranha. Acho que estou com fome...

2015 tinha tudo pra ser um ano "pão com manteiga". Assim foi 2014, e tinha tudo, absolutamente, para continuar assim. Eu mesma não esperava grandes mudanças. Não senti diferença nenhuma quando o ano virou, continuei na minha casa, na minha cama, fazendo as mesmas coisas, indo pros mesmos lugares, reclamando dos mesmos problemas. De 31/12 a 01/01, não houve nem cocegas.

Acho que a ultima grande mudança que ocorreu na minha vida foi em 2013, quando eu fiz as contas e percebi que conseguiria converter o meu salário em uma mensalidade do semestre da faculdade de fisioterapia. Segurem esse pensamento. 

Esse blog existe desde a época que eu saí do ensino médio, e meio que acompanhou todo o processo de tentativas e fracassos da minha vida acadêmica até então praticamente nula. Períodos de letargia, ingresso em curso aleatório só pra me sentir parte de algo (eu estudei publicidade e propaganda um tempo, alguém aqui lembra disso?), mais um pouco de letargia. E nesse meio tempo eu aprendi inglês. E depois de um tempo comecei a dar aulas de inglês. E enquanto isso eu fiz alguns vestibulares em vão, sem grandes esforços, novamente, pra me sentir parte de algo. Eu fiz enem não uma nem duas, mas quatro ou cinco vezes. Eu me inscrevi e não fui fazer a prova um ano desses. Eu dizia pra mim mesma que eu estava tentando. Eu fiz um ano de curso pré vestibular. Eu fui pra Campinas. Eu tentei conseguir uma vaga na Unicamp, pra fonoaudiologia, curso pelo qual eu novamente não demonstrava grandes paixões, mas queria me sentir parte de algo. Também não aconteceu. Eu tentei usar a nota de um desses enem(s) aí que eu fiz ao longo desses anos, pra entrar em uma universidade pública. Não consegui. Parecia que eu não estava me esforçando o suficiente. Parecia que por mais que eu dissesse pra mim mesma que estava me esforçando, não era suficiente.

Um belo dia eu peguei aquela matrícula da publicidade, trancada a anos, e resolvi transferi-la para outra faculdade, para outro curso, a fisioterapia. E esse foi o último "big step" que eu dei. E foi um passo grande e certeiro. Me apaixonei pelos conteúdos estudados, me apaixonei pelos professores, voltei a sentir sede pelo conhecimento, e fiz amizades que vou levar pro resto da vida. Aprendi coisas que jamais imaginei que um dia eu saberia. Voltei a me sentir desafiada, voltei a me sentir inteligente. Acordei da letargia. As pessoas me admiravam, me diziam que eu era inteligente. Tudo estava lindo. 
Na vida, uma coisa leva a outra, ela não para. Por mais que a gente tente se sentar e descansar confortavelmente na nossa zona, por um tempo, quando as coisas parecem ter alcançado um patamar agradável, a vida não nos deixa parar ali por muito tempo não. Ela vem e cutuca a gente avisando que é hora de levantar, que é hora de dar mais um passo.

Os semestres foram passando, as amizades se consolidando, a rotina se estabelecendo, e os reajustes de mensalidade sendo feitos, semestre após semestre. Até que em um dado momento, eu percebi que se a correnteza continuasse seguindo esse mesmo fluxo, em um futuro muitíssimo próximo o meu salário não seria mais suficiente para ser convertido em uma mensalidade do semestre do curso de fisioterapia. E eu ainda estava tão loooonge de me formar! 
Comecei a cogitar alternativas: eu poderia arrumar um emprego dentro da faculdade, o que me daria desconto na mensalidade. Mas pra isso eu teria que sair do meu emprego atual, deixar os meus alunos que gosto tanto! Ou eu poderia parar de estudar por um tempo e juntar uma pequena poupança. Essa alternativa pareceu pouco esperta, os reajustes ainda viriam, eu estudando por aquele período ou não. E pararia de saciar minha sede por conhecimento. Não parece uma boa opção. A alternativa perfeita seria uma bolsa de estudos, mas como conseguir? A única forma que a instituição disponibilizava, era através do Prouni. E pra isso eu teria que fazer o enem outra vez. Outra vez. Mas eu estava ficando sem alternativas, então... porque não? Porque eu não consegui uma vez? Ou duas? Ou três? Mas eu me sentia tão mais inteligente agora! Meu copinho de conhecimento estava meio cheio, não mais meio vazio. Me inscrevi e fiz a prova outra vez.

E aí os meses passaram, e a vida seguiu sua rotina. Vocês sabem como essas coisas funcionam, a nota demora meses pra sair. Quando o resultado finalmente saiu, a minha média ficou acima da média nacional. (sempre é, mas nunca pareceu o suficiente). Eu resolvi que já que tinha feito a prova de novo, eu ia tentar fazer absolutamente tudo que fosse alternativa com essa nota. Ela era a minha única saída. Não só tentaria conseguir uma bolsa de estudos integral pelo Prouni na faculdade particular em que me encontrava, como também faria inscrição no Sisu, que é um programa que disponibiliza algumas vagas em universidades públicas, classificando os candidatos inscritos pela nota obtida no enem.

Me inscrevi no Sisu, e joguei os dados. Fiz as minhas apostas mais altas: UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre), que recentemente foi avaliada como possuidora do melhor curso de fisioterapia do Brasil, e UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) também em Porto Alegre, que é o sonho de consumo de todo bom estudante gaúcho. Não custa tentar, né? Porque não?

Fiquei acompanhando as notas de corte diariamente, quando eram atualizadas. A minha média estava acima da nota de corte. De ambas as universidades. Eu não conseguia acreditar no que os meus olhos estavam vendo, mas resolvi não colocar muita expectativa, mais pessoas poderiam se inscrever ainda. Mais pessoas com médias melhores, que poderiam jogar a minha para uma posição mais abaixo. No penúltimo dia de inscrições, eu ainda estava dentro. E quando as inscrições terminaram e eu achei que finamente saberia o resultado final... ele só seria divulgado dali uma semana.

Passei essa semana tendo pequenos ataques de pânico. Nessa mesma semana, reencontrei amigos queridos da faculdade. E fomos pra Porto Alegre no show do Foo Fighters. Eu tava com um pressentimento bom, de que aquela cidade me traria coisas boas. A cidade já estava me fazendo feliz, com aquele show. Cês leram o post que vem antes desse, não leram? Então, foi um dia surreal. E depois disso eu continuei esperando. Achei que até o prazo final com certeza mais alguém se inscreveria. Com certeza eu cairia pra lista de espera. Mas VAI QUE alguém desiste da vaga, e me chamam à partir dessa lista, né? Vai que... eu tinha um fiozinho de esperança.

Hoje, eu recebi um e-mail com a seguinte mensagem:


QUÊ?

Fui conferir o meu boletim e... 



Eu fui aprovada na primeira chamada. Na UFCSPA. No melhor curso de fisioterapia do país.
Eu vou estudar de graça! Eu não vou mais ter que converter meu salário em mensalidades!
Eu também não vou mais ter um salário, porque vou ter que deixar meu emprego. E minha atual faculdade. E meus amigos. E minha casa. Vou deixar essa cidade pra trás. E ser chutada sem cerimônia alguma, pra fora e bem pra longe da minha atual zona de conforto. Chegou o momento do próximo "big step" dessa velha resmungona chamada vida, ela, que não nos deixa ficar parados. Deu pra ti, baixo astral. Vou pra Porto Alegre, tchau!

Eu ainda não absorvi totalmente a mudança. Estou absorvendo aos poucos, a doses homeopáticas. E tentando não ter um ataque de pânico, nem me sentir desnuda e vulnerável. O prazo para a matrícula é curto, então imediatamente (assim que consegui parar de tremer e chorar e olhar fixamente para o meu nome na lista de aprovados) comecei a reunir a documentação necessária para a matrícula. Fui até a minha atual faculdade cortar o vínculo, cortar o cordão. Fui até o meu trabalho conversar com o meu chefe sobre a minha eventual mudança de cidade e incapacidade de continuar trabalhando ali. Fui tirar fotos 3x4 atualizadas. Desencavei o meu histórico escolar do ensino médio, para comprovar o fato de ter estudado sempre em escolas públicas. Recebi tantas, incontáveis mensagens de apoio, e abraços, e comentários, e ouvi muitas outras pessoas me fazendo perguntas que eu não sabia responder. Que eu ainda não sei responder. 

Onde tu vai morar? Com quem tu vai morar? Como tu vai se lovomover? E de noite, não é perigoso? Que turno tu vai estudar? Integral? Como tu vai trabalhar então? Como tu vai se sustentar?

Eu não sei. Eu ainda não sei de nada. Absolutamente. Cortei vínculos imediatamente com as pendências que tenho nessa cidade, de forma rápida e indolor, como quando se arranca um bandaid. Tudo de uma vez pra doer menos. Rápido, pra não dar tempo pra pensar em mais nada. Pra não dar tempo de desistir.

A única coisa que eu sei é que quando a vida te dá a oportunidade de estudar o curso que tu quer estudar, de graça, na melhor instituição do país, tu simplesmente vai. O resto depois se dá um jeito. Certas coisas, não se pode recusar. De certas coisas não se pode recuar.


ESSE POST do fim de 2014 é a prova do quanto eu estava insatisfeita, e precisando virar o jogo. Aí está, como eu mencionei que aconteceria... "uma hora o jogo vira"... pois bem, VIROU!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Foo Fighters South Ametica Tour - Sonic Highways - Porto Alegre - 21/01/2015 - EU FUI, CARALHOOOO!!!

MELHOR

SHOW

DA

MINHA

VIDA!

Isso resume.

Os ingressos já estavam comprados à cerca de 4 meses. Comprei o e-ticket online, aquele que tu imprime em casa. Perto do dia do show, fui imprimir meu lindo ingressinho e, como todos já deveriam saber, impressoras tem vida própria, e são muito temperamentais, de lua, e filhas da puta. Funcionam se querem, quando querem, Na maioria das vezes simplesmente te ignoram, ou gritam te avisando que não tem papel, que não tem cartucho, sendo que tá tudo devidamente abastecido. Juro procês, passei mais de meia hora tentando fazer aquela bosta funcionar até que:


Consegui imprimir meu ingresso!!!

Várias expectativas e ansiedade pré show, vazaram na internet possíveis setlists, baseadas no que a banda tinha tocado nos shows da Argentina e Chile. Montei minha playlist baseada nas coisas que vazaram e ouvi incansavelmente até o dia do show!!!


No meu twitter não se falava em outra coisa!!! Depois o assunto se dividiu entre show e Sisu. E depois conto a história do sisu, estou esperando desenrolar... mas eu passei dias RESPIRANDO Foo Fighters!!!!

Na véspera do show, eu não conseguia dormir de ansiedade!!! 
Expectativa pelo show, somada ao resultado do Sisu e imaginando possibilidades de me mudar pra Porto Alegre pra estudar, ainda esse ano. Coloquei os fones de ouvido e mais uma vez, fiquei viajando ao som de Foo Fighters, deitada na minha cama, no escuro, quando deveria estar dormindo. Peguei meu celular e comecei a twittar insanamente por volta das 4 da manhã. Em algum momento eu devo ter pegado no sono.

Quando acordei, peguei o celular de novo pra ver que horas eram e se eu não estava atrasada, mas meu celular não ligou. Como assim não ligou??? Eu acabei de tirar ele do carregador! Não sei, galere!  O telefone simplesmente morreu! Não funciona mais, não liga, não pega carga, não dá sinal de vida nem tentando acessar o modo recovery! Nada! Aquele celular que eu ganhei de um amigo... morreu!!!!! Como assim, cara???? Como é que eu vou ler meu whatsapp??? Como é que eu vou combinar com a galere os esquemas do show??? Como é que eu vou pro show sem telefone???? NOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!

Mãe, me salva!!! Me empresta o telefone que eu te dei (que era o meu antigo)!!!! PLEEAAASEEE!!!
Mãe é mãe, né! Emprestou. Catei o celular e, porra, eu não tenho o numero de mais ninguém, e cortei meu chip, não cabe mais nesse telefone. E agora???? Facebook, me salve!!!! "Pessoas, me passem seus números de novo!!!!" ok. Consegui me comunicar com a galere com quem eu ia pro show. NADA VAI ESTRAGAR MEU DIA!!!!! NEM A MORTE DO CELULAR! NEM A PERDA DE TUDO QUE TINHA NELE!!!

Devo ter dormido umas 3 horas no máximo, ao longo da noite. Fiquei com uma puta dor de cabeça fodida, mas NADA VAI ESTRAGAR MEU DIA!!! Manda um cefalium pra dentro e BORA PEGAR AS COISAS E SE ARRUMAR E PARTIU PORTO ALEGRE!!! 
Tudo na mão, encontrei a galere e fomos!

Chegamos em Porto Alegre por volta das 3:30 da tarde, encontramos um lugar pra guardar o carro e nos encaminhamos pra FIERGS! A fila tava gigante, mas tava organizada. Esperamos um tempão, mas não foi tão ruim assim! 


Selfies na fila pra entrar. DICA: não tirem fotos com a cara virada pro sol, não dá pra abrir o olho!!! Eu tentei, juro! E saí com essa cara de merda! HAUIHAUIAH


E óbvio que, devido à minha fotofobia, que não é fobia de fotos, mas sim olhos extremamente sensíveis à luz, fiquei com muito mais dor de cabeça depois. Tem uma foto em que eu apareço sentada no chão com as mãos no rosto, morrendo por dentro e torcendo pra dor passar. Mas ficou na câmera da minha amiga e, quando eu tiver o arquivo mostro pra vocês. Não que seja lá muito interessante, mas enfim... é só pra documentar o dia. MAS NADA VAI ESTRAGAR O MEU DIA!!!! VAMO LÁ, ALEGRIA! EU VOU VER FOO FIGHTERS, PORRA!!!! (mas vai embora, dor.. vai embora...)


Entramos no local do show, e nos posicionamos o mais próximo do palco que a multidão que já se encontrava la, e a nossa pista não-vip nos permitia. 


Meu ingresso dava acesso à área azul. Ficamos atrás da pista amarela, próximo ao fim da extensão do palco que dividia as duas pistas vip.

Essa era a vista do local que a gente ficou:

Parece bom, né?

O lugar estava excelente, dava pra ver tudo super bem! Enquanto todo mundo estava sentado no chão. Era umas 4 ou 5 horas da tarde. Duas bandas iam tocar antes do Foo: Comunidade Ninjutsu (desnecessário) e Kaiser Chiefs! Ficamos sentados no chão por um loooongo tempo, até começar o show do Comunidade, isso lá pelas 6 e pouco. Já tinha visto eles outras vezes, nos planetas atlântida que eu fui, e tava cagando pra apresentação. 
Quando entrou o Kaiser Chiefs, acho que lá pelas 7:30, a galera já se empolgou mais. Todo mundo de pé, e eu tive a infeliz constatação que do alto dos meus grandiosos 1 metro e 64 centímetros de altura, eu não veria muita coisa. Daí em diante eu fiquei praticamente o tempo inteiro na ponta dos pés, desviando o olhar das cabeças!

Ponto negativo de ir em shows na FIERGS: Não tem arquibancada. Devido à essa circunstância, achei o palco baixo. E os telões laterais estavam MUITO baixos também! Pra vocês terem noção, no auge do show houve momentos em que nem o telão eu conseguia ver!!!!

"AI EKA MAS QUEM MANDOU NÃO COMPRAR PISTA VIP!!!!!"

 Quem mandou nascer pobre e baixinha, né???? 

Mas então... COMEÇOU O SHOW DO FOO FIGHTERS!!!!

Nessa hora, não tinha mais dor de cabeça, não tinha mais problemas na vida, não tinha mais aflição, não tinha mais nada, só uma sensação maravilhosa! Cantei como se aquelas fossem as últimas músicas que eu ouviria na vida! Gritei como se eu não fosse mais ter voz! Pulei como se a dor nos meus pés não importasse! Levei empurrões, empurrei de volta (apenas um bêbado otário que achou que seria uma ótima ideia fazer mosh sozinho, empurrando todo mundo que tava ao redor dele. Levou umas cotoveladas de mim, e com certeza mais uns chega-pra-lá dos outros), consegui me enfiar mais pra frente e me afastar do bêbado otário, puxei papo com pessoas aleatórias que se mostraram extremamente simpáticas, fiquei com lágrimas nos olhos, e estou ainda mais apaixonada platonicamente pelo Dave Grohl!!!!

Quanto à banda, eu simplesmente não tenho do que me queixar! Começaram o show pontualmente, e tocaram tudo que eu esperava durante TRÊS HORAS DE SHOW!! 
Eles parecem (são) um bando de amigos se divertindo no palco, e tu, da platéia, se sente parte daquilo, se sente parte do grupo, como se fosse amiga deles, ali, se divertindo! O Dave... é puro carisma e simpatia, dá vontade de abraçar ele e não soltar mais! Dá vontade de sentar com ele numa mesa de bar qualquer e ficar conversando até amanhecer! Dá vontade de só agradecer por me proporcionar um dos dias mais felizes da minha vida!

Cada vez que ele pegava o microfone e começava a falar, eu ficava olhando, atônita, com lagriminhas no canto dos olhos. Depois virava prazamiga e traduzia tudo o que ele tinha acabado de dizer. Vou colocar um vídeo-exemplo aqui, do discursinho de final de show: 


Essa foi a última musica que eles tocaram, mas ao longo das 3 horas de show, tiveram vários momentos como esse, eu que tu vê que ele é um cara como a gente, um cara simplesmente foda, que eu adoraria conhecer de verdade! Em vários momentos, ele disse que aquilo tudo era incrível! E o calor da multidão de fato estava incrível! Quando terminaram de cantar Best of You, todo mundo continuou cantando a musica em coro, até que a banda ficou em silêncio só escutando a gente, e a câmera do telão focou no rosto do Dave e dava pra ver claramente que ele tava emocionado com aquilo! E passou aquela emoção pra mim, e meu deus gente, me abraça! Eu ainda tô meio em choque, ainda vejo esses vídeos tremidos que a galera postou no youtube e dá um arrepio, sabe? 

Não sei se vocês manjam "dos inglês", mas aí nesse trecho por exemplo, ele fala (em tradução completamente livre) que a platéia daqui é incrível, agradece a todos por estarem ali naquela noite, por acompanharem a banda pelos 20 anos de estrada, porque se não fossem os fãs, se não fosse por nós, eles não estariam ali hoje. Dá uma pausa pra... pensar... e diz que nunca... que não gosta de dizer adeus e que "não se preocupem, eu não vou dizer adeus ainda!" - e que ele sabe que vai nos ver de novo, porque eles vão voltar algum dia. E que ele realmente não sabia o que esperar quando chegou ali, que tava sentado nos bastidores e não sabia bem onde estava tocando, e nem sequer olhou pra fora, e aí uma pessoa que trabalhava ali falou pra ele que os ingressos estavam esgotados, tinham vendido tudo! E ele "SÉRIO?" -  "Sim, tem 37 mil pessoas lá fora" -  e ele ficou pasmo! "AH MEU DEUS, QUE LOUCURA! Eu não fazia ideia que era essa loucura! Então, obrigada a todos vocês!"

Quando o show acabou,  eu queria voltar no tempo e começar tudo de novo! Queria ficar ali pra sempre!!! Queria ter grana pra viajar e ver os outros 3 shows que eles farão no Brasil, em São Paulo, no Rio, e em Minas. Juro que se eu pudesse, se eu tivesse como, eu ia em todos, só pra sentir tudo que eu senti de novo!

Ainda estou atônita! Ainda estou sorrindo que nem idiota! Ainda estou com lágrimas nos olhos só de lembrar, só de escrever esse post! Passei ultima madrugada inteira assistindo todos os vídeos do show que encontrei no youtube, não importa se estão tremidos, não importa se o som tá ruim! Eu vi e ouvi ao vivo, eu lembro de cada palavra, e o calor daquele momento que eu vivi vai ficar dentro de mim pro resto da minha vida! Obrigada, Foo Fighters, por esse dia incrível!